• Valeska Petek

Perca o medo da entrevista: como se "vender"​ como o melhor candidato


"Que arrogância ficar se elogiando assim, cadê a humildade, quem ele pensa que é?" - esse é um tipo de comentário que eu já ouvi colegas fazerem sobre outros colegas. Além da falta de sensibilidade nesse tipo de fala, destaco o quanto ela é poderosa para ditar as regras de comportamento: depois de ouvir algo assim no começo da minha carreira, eu passei a me preocupar em como poderia evitar ser a próxima criticada dentro daquele grupo onde, nitidamente, elogiar a mim mesma estaria fora de cogitação.


O problema que isso nos traz é que acabamos indo para outro extremo: ao não reconhecermos nossas próprias qualidades, dependemos da aprovação dos outros. O elogio passa a vir do líder, do colega da equipe, do cliente... mas nunca de nós mesmos. Mas e quando nós somos responsáveis por destacarmos nossos próprios feitos? Ficamos sem saber como dosar e corremos o risco de falarmos "de mais" ou "de menos".


Em uma entrevista de emprego, por exemplo, lembre-se que o recrutador não sabe quem você é. Ainda que, por algum outro contexto, você conheça aquele profissional, não podemos contar com a possibilidade de, talvez, ele se lembrar de algo específico sobre você. Afinal, se é algo importante que te ajudaria a se destacar dos outros candidatos, vale ser reforçado durante o processo seletivo, e é aí que você precisa usar sua habilidade de valorizar a sua história.


O entrevistador não tem bola de cristal. Ele não vai adivinhar que dentro de determinado curso ou cargo você desenvolveu determinado conhecimento ou habilidade. Cabe a você contar isso no currículo (resumidamente, por escrito) e na entrevista (com mais detalhes, verbalmente).

No caso do currículo, ter estratégia para se comunicar de forma persuasiva é algo essencial: afinal, como é um documento escrito, você provavelmente não terá uma segunda chance de explicar com outras palavras algo que tenha deixado o recrutador com dúvidas (falo mais sobre esse tema aqui no artigo "A diferença entre um currículo padrão e um estratégico: e como fazer o seu").


No caso da entrevista, você tem mais possibilidades de "consertar" uma frase que não saiu exatamente como você gostaria. Mesmo assim, dependendo de como ela foi dita (ou interpretada), não há como voltar atrás na impressão que uma mensagem causou. No cenário menos grave, você até pode não causar um impacto negativo nas suas chances como candidato, mas por não planejar sua comunicação de forma estratégica, irá perder a oportunidade de ser convincente - se tornando apenas mais um candidato sem nenhum diferencial.


DESCRIÇÃO DA VAGA: COMECE ENTENDENDO O QUE A EMPRESA BUSCA


Imagine que você atuasse como vendedor de veículos, por exemplo. E que, no momento em que você abordasse um cliente, automaticamente você tivesse acesso a todas as preferências dele: orçamento disponível, se o carro será usado para trabalho ou lazer, se ele se preocupa com a segurança de crianças no banco de trás, cores e modelos desejados, entre outras informações. Ter acesso ao perfil de veículo buscado pelo cliente não te garantiria sucesso na venda, mas aumentaria muito as suas chances de usar argumentos que o convençam.


A entrevista de emprego é uma venda. Você, candidato, não é um produto, mas oferece soluções para algo que a empresa precisa. A descrição da vaga te conta exatamente o que a empresa busca.

Ao entender o que o profissional que irá assumir aquela vaga precisa ter, o desafio agora é ligar os pontos e mostrar como você atende a tudo isso.


ARGUMENTOS: PREPARE SUA ESTRATÉGIA DE VENDA


No exemplo da venda de um veículo, apenas descrever todos os itens técnicos que determinado carro oferece não é o suficiente para convencer um cliente a comprá-lo. Se há uma preocupação com segurança, por exemplo, falar sobre os air-bags ajuda, mas há muitos outros carros que também possuem esse sistema. Ou seja, é necessário entender o diferencial da sua oferta, como vendedor, para aquele cliente.


Durante uma entrevista de emprego, pode haver muitos candidatos que atendem os mesmos requisitos que você: escolaridade, nível de inglês e até anos de experiência. É possível até que eles também tenham soft skills parecidas (como uma boa habilidade de negociação).


Em vez de pensar no que outros candidatos têm em comum ou a "mais" do que você, foque no que só você tem. Ou seja, identifique o que, na sua história de vida - pessoal e profissional - te possibilita ter uma combinação única de competências. Você é original, use isso!

Quando você resgata a sua própria história, percebe que só você trilhou o caminho que trilhou, e quanto mais anos de experiência você tem, há ainda menos chances de alguém ter uma trajetória parecida. Aqui vão alguns exemplos dos meus alunos, de duas áreas (engenharias e comunicação), que têm histórias completamente diferentes:


  • Engenheiro Civil especialista em megaobras industriais;

  • Engenheira Eletricista especialista em gestão de projetos;

  • Engenheiro Mecânico especialista em TI e programação;

  • Relações-Públicas especialista em responsabilidade social;

  • Relações-Públicas especialista em consultorias para empresários;

  • Relações-Públicas especialista em economia comportamental.


Perceba que só o curso de graduação não define a história de um profissional: as especializações, experiências, outras habilidades e até a história de vida são diferentes. Liste o que você têm de único, pois isso será o seu diferencial na sua narrativa. Evidenciar fatos que te tornam um profissional atrativo não é arrogância ou falta de humildade... é apenas evidenciar fatos. Escolha estrategicamente quais trechos da sua história você quer valorizar, sempre pensando no que será mais relevante pra vaga desejada.


"MAS, VALESKA, COMO EU VOU APLICAR TUDO ISSO ÀQUELAS PERGUNTAS-PADRÃO DAS ENTREVISTAS?"


Após ter clareza sobre o que a posição precisa (lendo atentamente a descrição da vaga) e ter em mente quais são os elementos da sua história que te tornam único (seus diferenciais), o próximo passo é aplicar isso ao contexto da entrevista. Para isso, você pode seguir um caminho como esse:


  • Pesquise no Google quais são as principais perguntas em entrevistas de emprego. Não há garantias de que o processo seletivo que você irá participar terá exatamente as mesmas perguntas, mas ter uma ideia do que esperar já te deixará mais tranquilo;

  • Prepare suas respostas antes, como em uma simulação de entrevista. Seja estratégico na escolha das palavras para que você possa "vender" tudo o que você tem a oferecer para aquela posição, de forma persuasiva e objetiva em cada uma das perguntas. Consulte um Mentor de Carreira para guiá-lo nesse processo de preparação para ter um direcionamento personalizado (geralmente mentores entendem os objetivos das perguntas dos recrutadores e acompanham tendências de mercado - o que te oferece insights extras);

  • Treine: com o espelho, com um amigo, em vídeo... não importa. A ideia é que, em vez de decorar suas respostas e parecer artificial durante a entrevista, você pratique até que a sua comunicação fique mais natural. O treino ajuda inclusive quem não tem boa memória, pois ao entender os conceitos que você quer transmitir com a sua fala, você não precisa memorizar cada palavra - basta resgatar a ideia geral.


Após uma preparação como essa, você aumenta muito as suas chances de conseguir uma aprovação quando a vaga tem o seu perfil. Mesmo assim, é possível que o feedback seja, infelizmente, negativo, pois há muitos fatores que influenciam na decisão entre um candidato ou outro. Há aspectos relacionados aos bastidores que não têm nada a ver com você (uma vaga cancelada ou congelada, uma mudança em políticas internas) e também não sabemos quem eram os seus concorrentes (e mesmo caso fossem igualmente qualificados, não sabemos quais foram os critérios de desempate).


Não é possível prever uma aprovação ou uma reprovação. Mas é possível olhar para informações reais sobre as vagas, resgatar o seu diferencial e linkar esses pontos, contando a sua história da forma mais persuasiva possível. A vaga "certa", que tem a sua cara, está por aí esperando por você! :)


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Artigo publicado originalmente aqui.