• Valeska Petek

Pretensão Salarial: como justificar o valor que você gostaria de receber


Sabe quando você encontra aquela vaga bacana, na área que você busca, em uma empresa que você admira? Você se candidata, otimista de que tem muitas chances de conseguir participar do processo, pois a vaga tem tudo a ver com você. No dia da entrevista, você comparece tendo em mente o que poderia responder para as principais perguntas de forma estratégica e persuasiva, até que o entrevistador traz a seguinte questão "qual a sua pretensão salarial?".


Quando atuei como Recrutadora, a maioria dos candidatos costumava responder a essa pergunta informando o salário atual - o que faz algum sentido, pois saber o quanto uma empresa já paga para ter determinado profissional no seu time nos ajuda a entender o quanto outra empresa provavelmente também estaria disposta a oferecer.


Entretanto, por mais que essa resposta não esteja tecnicamente errada, ao pensarmos em crescimento na nossa carreira, uma das formas de termos isso é buscando um aumento de remuneração. Por mais que a oportunidade seja incrível em outros aspectos (como uma empresa mais atrativa, um cargo hierarquicamente mais alto ou atividades mais prazerosas), vale a pena considerar formas de fazer com que essa mudança impacte positivamente também o nosso bolso.


TENHA CLAREZA SOBRE O QUE VOCÊ TEM A OFERECER


Outra referência que muitos candidatos têm ao informar a sua pretensão salarial é o seu custo de vida. Isso até faz algum sentido, pois para considerarmos uma mudança de emprego é importante garantir que a nova oportunidade irá nos fornecer remuneração suficiente para as nossas necessidades básicas e também a realização dos nossos sonhos. Mesmo assim, do ponto de vista do Recrutador, esse não é o argumento que irá demonstrar o porquê determinado candidato deveria receber determinado salário - é necessário entender o quanto a empresa terá de benefícios ao tê-lo na equipe. Ou seja, como candidato, o objetivo é demonstrar ao que a empresa terá acesso caso opte por contratá-lo:


  • Começando pelos números: alguma vez você já calculou o quanto investiu na sua carreira até o momento? Isso inclui todas as mensalidades de uma graduação, uma pós-graduação, cursos de idiomas e treinamentos extras. Esse investimento te possibilitou absorver determinados conhecimentos que são relevantes para a sua área e te tornam um profissional mais qualificado. Não se trata do único fator que constrói nossa estimativa do nosso valor de mercado (ou seja, não é porque investimos muito em estudos que automaticamente podemos esperar receber altos valores financeiros pelo nosso trabalho), mas já é um bom ponto de partida para definir uma pretensão salarial coerente.

  • Além do conhecimento adquirido formalmente, devemos considerar também o aprendizado prático (horas de experiência que foram dedicadas a desenvolver determinadas habilidades). Por exemplo, quando você entrou na empresa atual, há alguns anos, você tinha menos experiência do que tem hoje - e muito provavelmente isso significa que agora você executa suas tarefas com mais agilidade, cometendo menos erros e propondo melhorias significativas para a sua área ou a empresa como um todo. Vamos pensar: o quanto vale ter alguém com dois, cinco, dez, ou 20 anos de experiência? Nem sempre é fácil mensurar isso em números, mas perceba que isso geralmente está atrelado à remuneração de diferentes níveis hierárquicos (júnior, pleno e sênior). Ou seja, nossa experiência é um fator a ser considerado.

  • É possível também que você tenha uma combinação de habilidades que te tornem único. Por exemplo: um profissional que lide com atividades altamente analíticas (como big data) que também tenha facilidade para se comunicar de forma didática (fazendo com que mesmo pessoas leigas naquele assunto consigam compreendê-lo) pode se destacar diante de outros candidatos que atendam aos mesmos requisitos técnicos mas que não tenham a mesma desenvoltura. Ou seja, as soft skills (habilidades comportamentais), como a Comunicação, podem ser o seu diferencial.


Assim, antes de sugerir qualquer número ao pensar em um salário, é importante analisar tudo o que temos a oferecer, como se fossem itens dentro de uma caixa de ferramentas. Nem sempre é tão óbvio, e pode haver algo super bacana da nossa história que contribui para que sejamos profissionais únicos, mas que por algum motivo não percebemos (afinal, para nós pode ser algo natural e que não nos chama a atenção). Para garantir que todos os elementos sejam considerados, vale a pena conversar com um Mentor de Carreira que poderá te ajudar a fazer essa leitura, bem como traçar estratégias para comunicar isso em um processo seletivo.


CONSIDERE FATORES EXTERNOS


No conceito de "fatores externos" incluímos tudo o que não tem a ver com nós mesmos. Podemos começar pensando em um nível mais amplo, que inclui a realidade socioeconômica e política do mundo, de um país ou região em específico. Há elementos que afetam a dinâmica do mercado de trabalho, como o número de profissionais desempregados que buscam vagas similares às que você deseja - afinal, se há muitos candidatos igualmente qualificados disponíveis, é possível que o seu poder de negociação seja menor. Nesse exemplo, ressalto a importância de buscar elementos que o diferenciem como profissional (ou até mirar em novas regiões, como vagas internacionais).

Em um nível mais local, podemos olhar para a empresa em si, e algumas perguntas podem nos ajudar nessa avaliação:


  • Sobre o momento da empresa no mercado em que atua: ela está no início das suas atividades ou já ocupa uma posição mais sólida? Qual a velocidade de crescimento prevista para os próximos anos?

  • Caso o anúncio da vaga não traga informações sobre a faixa salarial da posição, é possível ter uma ideia desse valor em sites como o Glassdoor, que permitem que funcionários e ex-funcionários de empresas compartilhem de forma anônima sua experiência trabalhando nelas (inclusive valores salariais). Assim, é possível ter uma noção sobre o quanto determinada empresa costuma oferecer para um cargo similar ao desejado;

  • Além do salário: quais são os benefícios oferecidos pela empresa? Há plano de saúde e vale-alimentação, por exemplo? Quais são os valores cobertos? Há algum outro tipo de benefício disponível que faça a diferença pra você?


Essa leitura de cenário (mais amplo e mais local) nos ajuda a propor valores dentro de um contexto realista. Ao mesmo tempo, ter clareza de tudo o que você tem a oferecer é fundamental para valorizar a sua trajetória e o quanto a empresa ganha em ter você como funcionário. Ao olhar pra fora e pra dentro (sozinho ou com ajuda de um Mentor), você tem tudo o que precisa para tomar uma decisão sobre o valor financeiro que deseja receber pelo seu trabalho! :)


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Artigo publicado originalmente aqui.