• Valeska Petek

3 passos para descobrir qual é a sua "vaga dos sonhos"​ (e como alcançá-la)


Aquela ideia romântica de que, ao trabalhar com o que amamos, nunca mais precisaremos trabalhar na vida (parafraseando Confúcio, filósofo chinês) me parece um pouco exagerada e vou te contar o porquê.


Eu já tive experiências profissionais de diversos tipos e todas elas me trouxeram felicidade e também frustrações. Durante o meu primeiro emprego, quando era professora de inglês e espanhol, eu amava a sensação de ajudar alguém a aprender - mas o salário era insuficiente para os meus objetivos de vida; quando fui Analista de RH em uma multinacional, eu era feliz com todo o aprendizado que aquele ambiente me proporcionava - mas me incomodava com a obrigatoriedade de "passar o cartão" e cumprir horários específicos; hoje, como empreendedora, me encanto pelo que a liberdade geográfica me proporciona (posso trabalhar online de onde quiser), mas ainda é um desafio ser mil-e-uma-utilidades (dar conta de todos os departamentos de uma empresa - a minha).


Não existe trabalho perfeito. Amar o nosso trabalho não apaga todas as frustrações que aquelas atividades podem nos trazer. Entretanto, só porque ele não será perfeito, não significa que não seja possível encontrar um trabalho que amamos.

Por isso, quando trago o conceito de "vaga dos sonhos" aos meus alunos, não proponho que busquemos a ilusão de um trabalho que não nos cause nenhuma frustração. A ideia é fazer uma avaliação realista, encontrando o tipo de oportunidade que melhor aproveite nossas habilidades e nos traga satisfação - afinal, serão 8 horas (ou mais) do nosso dia dedicadas a isso.


O TRABALHO NÃO É UM HOBBY...


O significado que o trabalho representa na vida de cada pessoa pode variar muito. Vamos imaginar o exemplo de um profissional responsável pela área de meio ambiente de uma indústria: pode ser que essa pessoa veja o emprego apenas como uma fonte de renda para que ela possa realizar outras atividades que a façam feliz após o expediente. Não há nada de errado nisso: o trabalho é uma forma pela qual podemos monetizar nossas habilidades - ou seja, ter uma remuneração em troca do que oferecemos para que uma organização alcance seus objetivos.


...MAS UM HOBBY PODE SE TORNAR UM TRABALHO


Ainda no exemplo do profissional da área de meio ambiente, é possível também que ele veja o trabalho como uma forma de colocar em prática uma filosofia de vida (como a preservação dos recursos naturais). É possível que, no tempo livre, essa pessoa já goste de ler a respeito do tema, siga perfis em redes sociais que tragam dicas de como reduzir o consumo de embalagens plásticas e participe de ações em seu bairro como o plantio de árvores. E não há nada de errado nisso: provavelmente a satisfação do trabalho será aumentada por se tratar de uma posição que possibilite colocar em prática algo que esse profissional acredita.


Independentemente do que o conceito de trabalho significa pra você, é válido entender o que te motiva e buscar oportunidades que combinem com isso. Para te ajudar, aqui vão três passos para te trazer mais clareza e te aproximar da sua vaga dos sonhos:


1) "MAS, VALESKA, EU NÃO TENHO IDEIA DO QUE EU GOSTO. SÓ SEI DO QUE EU NÃO GOSTO"


Saber o que você não gosta é um começo, e use essa informação na sua decisão. Ao considerar novas oportunidades, não queremos trocar seis por meia dúzia - ou seja, não faz sentido sair de um emprego e começar em outro onde você terá, novamente, algo que não te faz feliz. Sair de onde você está só para "mudar os ares" não é estratégico, pois o problema (a causa da sua insatisfação) continua lá.

Vamos imaginar que nosso profissional da área de meio ambiente tenha o cargo de Analista de Sustentabilidade. Ele é responsável por garantir que a empresa tenha o mínimo de desperdício de água e energia elétrica, recicle o máximo dos materiais que descarta, e também promova ações de conscientização para que os próprios funcionários sejam agentes de sustentabilidade em suas casas. Entretanto, na rotina de trabalho, esse Analista tem passado muito tempo acompanhando os dois primeiros itens e não há espaço para o terceiro (o último evento envolvendo funcionários e seus familiares foi há muito tempo).


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Ainda que não faça 84 anos desde o último evento (como o meme acima sugere), suponhamos que nosso Analista tenha proposto ao seu líder a retomada de projetos com ações mais práticas - afinal, ele gostaria de continuar trabalhando ali e se sentiria ainda mais motivado caso pudesse levar o conceito de sustentabilidade para além dos muros da empresa. Infelizmente, ele foi informado de que a empresa não tem previsão de autorizar a retomada de nenhum projeto do tipo.


Decidir entre ficar na empresa ou buscar novas oportunidades não é uma decisão simples (eu recomendaria ao nosso Analista que consulte um Mentor de Carreira para guiá-lo nessa tomada de decisão). E caso ele realmente decidisse se recolocar em outra empresa, seria fundamental entender bem as atividades do novo cargo, afinal, pode não valer a pena colocar esforço para essa movimentação (trocar de emprego) se as atividades continuarão não proporcionando o que ele busca (levar o conceito de sustentabilidade para além dos muros da empresa).


2) BUSQUE NOS SEUS HOBBIES AS PRIMEIRAS PISTAS


A forma como você escolhe passar o seu tempo livre conta muito sobre você. Calma, não é porque você gosta de cozinhar que você precisa se tornar um chef de cozinha. Mas o que você gosta nessa atividade? Seria a experimentação de novos sabores? Seria a possibilidade de improvisar nas suas receitas? Ou seria a oportunidade de servir e reunir pessoas? Aqui vão algumas ideias de onde investigar:

  • Consulte o seu histórico de buscas do Google: por quais sites e temas você naturalmente se interessa?

  • Olhe para sua estante de livros (ou para a biblioteca virtual do seu leitor de livros digital, como o Kindle): o que há em comum no conteúdo dos livros que você tem lido?

  • Verifique se há alguma temática recorrente nos filmes e séries que você assiste: há algo que poderia ser aplicado ao contexto profissional?

  • Liste as atividades que você costuma fazer sem obrigação: há algum esporte, atividade artística ou social que você ame fazer (e por quê ama essas atividades)?

Reforço que não se trata de transformar hobbies em trabalho: estamos buscando pistas sobre o seu perfil e o que te traz satisfação. Caso nosso Analista de Sustentabilidade perceba, por exemplo, que gosta muito de atividades ao ar livre (andando de bicicleta, acampando, ou em caminhadas que possibilitem um contato com a natureza), isso pode nos ajudar a entender o quanto é importante para esse profissional ter um trabalho mais dinâmico (e que não demande passar a maior parte do tempo em frente ao computador).


3) DEFINA UM PLANO DE CARREIRA - COM AÇÕES


Ter clareza sobre o que você quer para a sua carreira é o primeiro passo, e o próximo demanda pensarmos em termos práticos. Quais ações você irá tomar para conquistar essa posição?


A vaga dos sonhos se tornará realidade apenas quando você fizer algo a respeito. Não existe mágica, existe estratégia e ação. Compare onde você está versus onde você quer chegar: assim você enxergará um gap, que precisa ser preenchido.

Esse gap (lacuna, em tradução livre) é a distância entre o seu momento profissional atual e o seu momento profissional desejado. Caso nosso Analista de Sustentabilidade, por exemplo, percebesse que a sua vaga dos sonhos seria algo como um Coordenador de Responsabilidade Socioambiental, já temos dois dos três itens necessários: onde ele está (qualificação profissional atual) e onde ele quer chegar (qualificação necessária para esse cargo - disponível geralmente na descrição de uma vaga com esse título). O terceiro item, que deve ser analisado, é o gap (a lacuna, a diferença): e essa será nossa fonte de informações para definirmos um plano de ação. Por exemplo:

  • Se o cargo desejado pede inglês fluente e o nosso Analista possui inglês intermediário, o gap é o conhecimento no idioma. O plano de ação deve solucionar isso;

  • Se o cargo desejado pede experiência em processos da ISO 14001 (certificação ambiental), e o nosso Analista nunca lidou com o tema, o gap é a falta de experiência. O plano de ação deve solucionar isso;

  • Se o cargo desejado pede habilidade de negociação e o nosso Analista não se considera bom nisso, o gap é a essa soft skill. O plano de ação deve solucionar isso;

Dependendo do tamanho do seu gap, mesmo que você ainda não possua todas as habilidades requeridas para uma vaga, você pode concorrer a ela. No entanto, é importante trazer durante o processo seletivo como você já tem trabalhado para desenvolvê-las. Ou seja, mantendo a sinceridade, é possível ser persuasivo e valorizar o que você já pode oferecer (falo mais sobre esse tema aqui no artigo "Perca o medo da entrevista: como se 'vender' como o melhor candidato").


Encontrar a sua vaga dos sonhos não significa buscar uma posição em que você seja feliz em 100% do tempo. Significa encontrar uma oportunidade de ser você mesmo, na sua melhor versão, que te possibilite alcançar os seus objetivos, enquanto contribui para que uma organização também alcance os dela. Com certeza existe uma oportunidade bacana por aí que combine com você, só falta vocês se encontrarem! :)


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Artigo publicado originalmente aqui.