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  • Foto do escritorValeska Petek

Do corporativo ao terceiro setor: uma transição dentro da mesma carreira


Tem gente que desde criança sabe o que quer ser quando crescer. É como se, pra essas pessoas, desde cedo já existisse uma clareza quase que instintiva de onde querem chegar. Daí, é só uma questão de aprenderem como o mundo funciona e começarem a percorrer o caminho que leva pra esse lugar tão sonhado: ser médico, professor, entre outras profissões. Em muitos casos, esses sonhos realmente se realizam e esses profissionais mantém a mesma profissão (com satisfação) até sua aposentadoria.


Entretanto, nem sempre esse caminho é claro e linear. E as profissões sobre as quais não ouvimos falar durante a infância ou a adolescência? E as descobertas que fazemos durante a faculdade? E as áreas com as quais desenvolvemos afinidades (ou o contrário, percebemos que não gostamos tanto delas assim) quando já temos alguma experiência?


Ao longo da nossa carreira, temos acesso a novas informações e passamos a ter novos interesses, por isso, recalcular a rota é normal. Às vezes o ajuste é mais radical, mudando de uma área para outra que parece não ter nenhuma semelhança. Entretanto, é possível que sintamos vontade de manter a mesma profissão, mudando apenas outros fatores. Para exemplificar uma mudança de carreira como essa, trago a história da Thais, uma comunicadora (graduada em Relações Públicas) que trocou o mundo corporativo pelo terceiro setor. Confira como foi a trajetória dela de uma área em que já tinha anos de experiência para outra bem diferente! 😉


Vamos lá, Tha! Podemos começar conhecendo um pouco sobre você? Qual a sua formação acadêmica?


Sou graduada em Relações Públicas, pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduada em Direitos Humanos e Responsabilidade Social pela PUC-RS. Também tive uma breve passagem pela Universidade de Toronto, onde cursei por quase um ano Relações Públicas Estratégicas.


Quantos anos você tem de experiência em cada área?


Tenho 8 anos de experiência em comunicação integrada e 6 anos de experiência em responsabilidade social e sustentabilidade.


Quais habilidades (soft skills) você percebe ter?


Empatia, flexibilidade e boa comunicação interpessoal.


Legal! Agora vamos entender a sua trajetória: com qual idade você começou a trabalhar?


Com 17 anos, em uma agência de eventos.


Na época, como você imaginava que seria a sua carreira no futuro? Você sonhava em ter alguma profissão em específico?


Desde que iniciei a faculdade de Relações Públicas, soube que ajudar organizações ou pessoas com estratégias de comunicação era o que eu queria fazer. Me via atuando como uma facilitadora nesses ambientes. Ao longo dos meses, fui observando que, como as áreas de comunicação nas empresas geralmente eram enxutas, eu poderia testar diferentes frentes de RP, inclusive desdobrar meus trabalhos para uma frente de responsabilidade social. Foi nesse momento que a minha vontade de ajudar o próximo e minha paixão por relações públicas se encontraram.


Você tinha um planejamento de carreira?


No início eu sabia que queria trabalhar em diferentes setores, aproveitando o tempo de estágio para experimentar. Passei por agência de eventos, televisão e mercado financeiro. A vontade de trabalhar no terceiro setor sempre existiu, mas eu não tinha esse foco no momento. Ao sair da faculdade, em 2017, o meu propósito foi ficando cada vez mais claro.


Qual (e como) foi a sua maior mudança profissional?


Minha maior mudança profissional foi migrar do segundo setor para o trabalho exclusivo no terceiro setor. Era uma vontade latente nos últimos 5 anos, mas essa movimentação só aconteceu com oportunidade e muito trabalho de autoconhecimento, para traçar as melhores estratégias de acordo com o meu propósito pessoal.


Essa mudança aconteceu por uma escolha sua ou foi causada por algum outro motivo?


Essa mudança foi causada por uma escolha, uma movimentação planejada.


Qual foi a sua primeira ação para fazer essa mudança acontecer?


No começo existia apenas uma vontade de descobrir novos caminhos e trazer mais propósito para a minha rotina de trabalho. Eu já trabalhava com temas que gostava muito, relacionados a impacto social, mas queria entender como seria trabalhar com essa temática em uma organização focada em sustentabilidade. Mapeei todas as organizações locais que tinham esse foco e estudei um pouco mais sobre como eu poderia atuar. A partir daí, milhares de portas se abriram no meu imaginário, mas faltava materializar aquele desejo. Estruturar meu Plano de Carreira com uma Mentora foi essencial para, primeiramente, assumir de vez os meus desejos pessoais, colocar o meu propósito de vida na frente e planejar os próximos passos. Considero que foi o momento de definir expectativas, me acalmar e me movimentar de forma mais inteligente.


Antes da Mentoria, eu me guiava pelas oportunidades que apareciam e pelo "sim" da vida, depois passei a assumir o controle da minha trajetória.


Quanto tempo levou, mais ou menos, desde a sua primeira ação até você sentir que essa transição foi concluída?


Alguns anos de passaram para que eu, de fato, assumisse que deveria dar esse primeiro passo. A partir do momento da Mentoria, foram cerca de 7 meses para me colocar na posição que eu desejava.


O que você precisou aprender? E quais conhecimentos você "aproveitou" das áreas anteriores?


O conhecimento de antes é sempre aproveitado, especialmente no meu caso, pois me mantive na área de Comunicação. Entretanto, cada setor tem suas particularidades em termos processuais e também de relacionamento. Por exemplo: atuando no terceiro setor, aprendi sobre uma dinâmica diferente em termos organizacionais, intensifiquei meu contato com o público externo, e também aprendi detalhes de atividades que antes eu ainda não havia me aprofundado. Todos os dias aprendo algo novo sobre como melhor tecer a minha caminhada e quais são as necessidades mais latentes.


Por fim: qual conselho você daria para alguém que esteja considerando passar por mudanças na carreira?


Una a paciência ao planejamento. Acredito que o primeiro passo seja um trabalho de autoconhecimento para assumir qual o próximo passo que a sua alma anseia. Ter referências também ajuda a traçar rotas interessantes, mas lembre-se que cada trajetória é única e é permeada por privilégios e oportunidades. Por fim, coragem! Nada como o gosto da linha de chegada, que na verdade será o começo de uma nova trajetória.


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Se você se identificou com a história da Thais, me conte! E marque aqui alguém que está passando por reflexões parecidas e que vai gostar desse artigo. Vou adorar ler seus comentários ou dúvidas!


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Vamos juntos construir a carreira que você quer ter?


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Artigo publicado originalmente aqui.

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